sábado, 4 de agosto de 2012

Mãe


  É como se tivesse sempre à espera que a minha mãe chegasse, que aparecesse a qualquer momento e fizesse desaparecer esta mulher que aparece quando quer e vai antes de perceber que já cá esteve. E torna-se tão mais fácil viver de sonhos, a imaginar como poderia ser, a lembrar como era. E custa admitir, custa ainda ouvir as outras pessoas dizerem no que ela se tornou, porque por mais que eu saiba que têm razão, ainda é minha mãe e foi minha mãe toda a vida, por isso não posso virar as costas e deixar-lhe ir, não consigo permitir apenas que desapareça como se nunca tivesse existido.
  És horrivel, e eu detesto-te de todas as vezes que vejo entrar em casa e nem fechas a porta da entrada para não perderes mais tempo em ir embora, tenho nojo de ti, de tocar nas tuas coisas, de sentir o teu cheiro. Metes-me impressão quando olho para ti, não consigo ouvir a tua voz, dás-me raiva e odeio tudo o que és. E o que me consegue magoar mais em ti é ainda amar-te, é de todas as vezes que vais e só me apetece ir correr atrás de ti e implorar-te que fiques, gritar-te tão alto para que me oiças tão fundo, onde te esqueces-te de ser mãe , a falta que me fazes.

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