segunda-feira, 30 de julho de 2012
31-07-2012
À medida que me aproximo, baixo o olhar ou finjo não ter reparado que ali estavam, faço-o porque ainda sinto vergonha, ainda penso no dia em que os meus pais discutiram à frente do café e chegou a policia, lembro-me de todos os olhares postos em nós, toda aquela gente que nos conhecia. Tudo deixou de beber o seu café para assistir o espétaculo, e alguns só finjiam que nada se passava, como se fossemos só mais uma familia desiquilibrada, uns malucos. Mas eles não sabiam que já fomos uma familia feliz, apenas souberam julgar. Sempre que vejo uma dessas pessoas na rua, desvio o olhar, para que não me vejam essa vergonha nos olhos, para que não sintam que ainda me importo com o desprezo que vi em cada um naquela tarde, mas não só isso, acho que o pior foi o orgulho, de depois de passar a vida a mostrar-me forte e que nada me mandava a baixo e derrepente ser tão fraca à frente de todos. Os meus pais a discutirem e a policia a separá-los, e eu tentava não chorar, e tentava que parassem, mas não conseguia controlar, tudo me estava a cair e estava tão vulneravel sem saber como me manter calma, porque só me apetecia gritar e chama-los a razao, não sei quanto tempo durou mas só sangrava e não parava. E a pena das pessoas estampada nas caras delas só me aumentava a raiva e o ódio que tinha dos meus pais. Acho que nesse momento desliguei, com raiva de mim por ter sido tão fraca e não ter feito nada, por querer impor-me e não ter tido força. Depois só me lembro de discutir, e gritar. Saí de lá sem olhar para mais ninguém, e foi por não ter enfrentado logo esses olhares que agora me custa passar por eles, e relembrar tudo de novo. Não culpo os meus pais por me terem feito sentir humilhada e inútil, nem por nada. Mas não os consigo, para já, desculpá-los da desilusão com que acordo todos os dias e não ter nem um nem outro ao meu lado.
sábado, 28 de julho de 2012
Dia de Praia
Hoje vim à praia com as minhas irmãs e os meus amigos, o meu pai depois leva-nos para casa e aposto que a minha mãe já vai ter o jantar feito e mesa posta. Ela provavelmente já sabe que nos está a apetecer a massa cheia de ingredientes e molho bechamel, parece que adivinha sempre o que queremos. Quando chegar a casa vou meter-me debaixo da mangueira lá na relva, mas tenho que correr, porque sempre que eu e as minhas irmãs chegamos da praia, lutamos por quem será a primeira a usufruir das primeiras gotas quentes. Pode ser que não fique muito frio e assim aproveito de um belo banho à mangueirada.
Já fresca do banho, vou sentar-me à mesa com todos, vou contar à minha mae como nos divertimos hoje, e dizer-lhe que é sempre melhor quando ela vai, e quando fazemos um concurso entre as duas na água para ver quem nada mais rápido. Depois de ajudar a minha mãe a arrumar a cozinha, vou para o meu quarto, aproveitar o silêncio e calma de poder estar sozinha comigo num sitio de mais ninguém. Vou estar tão cansada que vou adormecer na minha cama, perdida em pensamentos, e não irá haver melhor forma de acabar o dia.
Amanha já sei que vou acordar com a Mariana a correr pela casa e a Di e embirrar com ela, com o barulho do corta relvas que o meu pai tanto gosta, e a minha mae.. vou estar a ouvir a minha mae a andar pela casa nas suas arrumações. E antes de abrir os olhos vou pensar que não há melhor maneira de começar outro dia perfeito.
Subscrever:
Comentários (Atom)